Apego SEGURO = CONFIANÇA

14

Estabelecer vínculo é uma ação instintiva, presente na maioria dos mamíferos, começando no nascimento (quando vulneráveis buscam cuidado) e perdurando por toda a vida. 

Como é desenvolvida a relação de confiança?

Segundo John Bowlby, autor da teoria do Apego, a qualidade inicial dos cuidados, exercem influencias nas relações interpessoais futuras (amizade, par romântico, profissional), podendo gerar quatro tipos de apegos: 1) Evitante, 2) Ambivalente, 3) Desorganizado, 4) Seguro. Os três primeiros geralmente são desenvolvido quando a criança convive com pessoas pouco atentas as suas necessidades, com baixa empatia, instabilidade de comportamento e muitas vezes trazendo mais estresses do que conforto. E o quarto modelo gera relações mais saudáveis, duradouras, positivas e de confiança. 

Confiar, é ter coragem de ser vulnerável e saber/sentir que será cuidado pela aquela pessoa/empresa/instituição e que ela não se prevalecerá de sua necessidade, ao contrário, trará mais benefícios, prezando por uma relação de ganha-ganha. Como diz a pesquisadora Brené Brown “ficar vulnerável é um risco que temos que correr se quisermos experienciar conexão”.

Utilizando as etapas do desenvolvimento de apego na infância, as informações abaixo faz um paralelo com o desenvolvimento da confiança nas relações de trabalho.

ESTABELECENDO VÍNCULO SEGURO/CONFIANÇA

  1. PRESTAR ATENÇÃO

(reconhecer os sinais de incomodo ou busca de prazer)

Perceber quais são as necessidades do cliente, o que o incomoda, quais são seu propósitos, que ganhos ele gostaria de ter ou perdas gostaria de retirar ou evitar, que valor ele dispõe…

2. SER RESPONSIVO

(responder de forma adequada a necessidade)

Oferecer soluções personalizadas a necessidade do cliente.

Não tentar apresentar promoções ou produtos que não fazem sentido ao cliente, isso poderá deixa-lo irritado e direciona-lo a buscar outra pessoa para atendê-lo.

  1. SER CONSISTENTE

(responder de forma consistente e previsível. Estabelecer uma rotina e segui-la)

Entregar exatamente ou mais do foi combinado (prazos, valores e serviços/produtos). Sem entrelinhas ou surpresas desagradáveis, pois isso faz o cliente se sentir enganado, inseguro e buscar outro profissional ou duvidar de suas futuras propostas. Caso ocorra erros, admiti-los e buscar resolvê-los.

  1. DEMONSTRAR ACEITAÇÃO

(Aceitar o mal-estar ou o sofrimento emocional em vez de criticar ou ignorar. Ter empatia ao invés de simpatia*) 

Considere as preocupações do cliente,  o valor que ele tem disponível para o serviço/produto, sem julgar se é bom ou ruim, pouco ou muito. Claro, quando necessário, o oriente sobre as possibilidades compatíveis com o que busca. 

  1. CONFORTAR

(consolar para que se sinta especial independente do momento)

Caso o cliente diga que não dispõe de muito nesse momento para o serviço/produto. Diga que entende, admira o quanto ele está preocupado em iniciar/manter, que torce para que ele continue prosperando e pergunta se tem algo que pode fazer para auxiliá-lo.

 

E mesmo com o mundo tão tecnológico, é possível estabelecer relações de confiança? Sim, inclusive ela é uma grande aliada para isso, por exemplo o uso de carro de aplicativo: 1) quando você precisa fazer um descolamento, entra no aplicativo e inclui sua rota (atenção a necessidade); 2) é compatível o que você acompanha no app com a realidade, como os minutos para chegada, o caminho, o valor da corrida, a descrição do carro e do motorista (responsividade e consistência); 3) atualmente você pode até escolher entre três opções de valores que envolvem conforto do carro, tempo e entrega de mercadoria ou até mesmo ter o serviço se você não tem como pagar naquele momento, quitando na próxima corrida (aceitar e confortar). Essa tecnologia auxilia o motorista a estabelecer uma relação de confiança com o passageiro aumentando o número de clientes que buscam o serviço.  É um selo de garantia que aumenta a confiança.

Então, com ou sem tecnologia, a confiança é imprescindível para a prosperidade de todas relações. E, para finalizar esse artigo, ficam algumas reflexões: 

  • você se permite ser vulnerável como quem? Aonde? Quando? Sente-se seguro na maioria das vezes?  
  • Você e/ou sua empresa permite que as pessoas de sua relação possam se mostrar vulneráveis? Você emite comportamentos (descritos na tabela) que geram segurança?

Que possamos cada vez mais ter relações seguras, de confiança, nos apropriando dos benefícios da tecnologia para que os momentos desejáveis e os indesejáveis de vulnerabilidade possam ser acolhidos.

 

“A gente só conhece bem as coisas que cativou” O Pequeno Príncipe