A TRAVESSSIA

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Entendo que, talvez, em um primeiro momento, você tenha vontade de mudar de artigo porque não aguenta mais ler, ver, ouvir e viver a pandemia do Covid -19. Mas, calma, vamos pensar no Covid como uma possibilidade de se autoconhecer, aprender, crescer e levar este novo repertório para outros desafios da vida.

Em períodos difíceis é natural sentir ansiedade, principalmente quando sensibilizam os três pilares de sustentação humana (biológico, psicológico e social – biopsicossocial).

1) O biológico contempla as características físicas, genética, as necessidades fisiológicas de alimentação, sono, secreção, preservação da espécie e dentre outros.

2) O psicológico está relacionado a nossa história de aprendizagem, o que vivemos, aprendemos e o que fazemos com o que vivemos. Aqui é interessante refletirmos: se eu estou o que eu aprendi, então isso significa que eu posso aprender novos comportamentos e estar de outra forma. Isso aumenta as possibilidades de desenvolvimento e de acesso a novos resultados.

3) o social corresponde a maneira que as pessoas se organizam, sentindo-se mais protegidas em sociedade/comunidade. Pois é nessa estrutura que encontramos subsídios financeiros, de entretenimento, apoio e muito mais.

O Coronavirus tem sensibilizado a tríade biopsicossocial, deixando o biológico vulnerável, pois ainda estamos aprendendo sobre a melhor maneira de se imunizar. O psicológico porque o momento solicita novos repertórios comportamentais, expõe as pessoas ao estresses, perdas ou trocas de fontes de prazer e aciona o sistema de alerta. O social, pois estamos acostumados a nos protegermos em comunidade, e neste momento, está sendo orientado o isolamento, gerando privações de contato.

Diante deste cenário, é muito comum a ansiedade aumentar, podendo paralisar, desorganizar o comportamento ou gerar fuga/esquiva da situação: na primeira a pessoa pode ficar sem reação, negligenciando cuidados, na segunda pode haver compras de forma exagerada, agitação motora pouco efetiva para busca de resolução e na última há uma tendência a fugir do assunto e da adaptação de ações importantes para o momento.

Embora essas reações sejam naturais e efetivas em curto prazo, é possível ter outra maneira de fazer a travessia deste momento focando no autoconhecimento, autoanálise e ter outras ações que possam trazer mudanças positivas e favoráveis em longo prazo. Imagine que você estava em uma margem do rio e tem que travessar até a outra margem. Estávamos, até pouco tempo, em uma margem do rio, um local conhecido (embora ainda de economia instável, mas conhecido). Atualmente estamos atravessando o rio, sem saber exatamente como será a outra margem. E neste período de travessia, de incertezas, de oscilações, torna-se ainda mais importante se sentir acolhido e acolher (fortalecer e recorrer, mesmo que online, à rede de apoio – familiares, amigos, trabalho e profissionais capacitados). Tornar a experiência como oportunidade de aprender a ter autocontrole, filtrar o que é realmente importante você absolver (selecionar notícias, alimentos), reduzir as críticas e entender que cada um está tentando fazer o seu melhor. É ter este momento para crescer, buscar um propósito, ser grato pelo “barco e remos”, praticar a solidariedade (auxiliar o outro em sua proteção, aprendizado e crescimento) focar no aqui e agora (respirar, entrar em contato com seu corpo. É focar na remada para seguir a travessia e chegar até a outra margem).

Finalizo este artigo com o desejo de que todos possam ter saúde, sabedoria, acolhimento e proteção para completar essa travessia.